Comportamento: Os limites da Selfie, ou a falta deles.
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16 out Comportamento: Os limites da Selfie, ou a falta deles.

O autorretrato via celular dominou a vida das pessoas e acredite se quiser, tirou a de algumas.

Selfie, a palavra que veio do inglês, define os autorretratos feitos por celular e postados em redes sociais. O nome ficou muito popular no início de 2014, quando na premiação do Oscar, a apresentadora Ellen Degeneres resolveu juntar uma galera para bater a mais popular e promissora selfie da história.

Mas engana-se quem acha que essas fotos surgiram depois do Oscar.

As selfies já eram vistas nas redes antes, o que faltava era o nome de batismo. Quem aí nunca viu um amigo mostrando o novo corte de cabelo, uma amiga curtindo a nova cor de batom, ou o famoso olhar no horizonte com uma frase motivacional na legenda? Tudo isso sempre foi selfie.

Entretanto, parece que só a autopromoção não é mais suficiente, então, a galera começou a inovar e perder o limite. Chegamos ao ponto em que as pessoas não medem esforços na busca de likes e acabam pondo sua vida em risco ou perdem a noção em alguns casos, só para postar uma bendita foto.

As selfies tiradas com o corpo do cantor Cristiano Araújo, morto em um acidente de carro, são exemplo da falta de limites. Após o socorro levá-lo ao IML, o cantor teve sua autópsia fotografada por uma das enfermeiras. A foto viralizou nas redes e pricipalmente no “zap-zap” das pessoas, o caso repercutiu na mídia de todo pais e, no final das contas, a “profissional” foi autuada e pode pegar 3 anos de prisão.

Casos como esse, que ocorrem em ambientes hospitalares, contribuíram para que o Conselho Federal de Medicina proibisse os médicos de postarem selfies com pacientes, principalmente com o intuito de autopromoção da profissão.

Não muito diferente dos profissionais de saúde, os demais “autofotógrafos” andam tão sem noção quanto e arriscam a própria vida na busca da selfie perfeita.

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Entre as mortes mais frequentes ao tirar uma foto destacam-se as quedas de locais perigosos, as fotos que envolvem armas, animais selvagens e locais de risco, como trilhos de trem elétrico, onde as pessoas se preocupam com o trem, mas esquecem da corrente elétrica dos trilhos.

Muitos dos casos citados aconteceram na Rússia, o que levou o governo a tomar medidas e lançar campanhas para conscientizar as pessoas que “nem um milhão de ‘likes’ nas redes sociais valem tanto quanto a sua vida e seu bem-estar”.

No Brasil, ainda não tivemos nenhuma ocorrência do tipo, mas o que vemos de pessoas com os celulares para cima em todo lugar nos leva a pensar que, mesmo não pondo a vida em risco, a vida social parece estar morrendo aos poucos. Não existe mais uma reunião com amigos que não renda uma selfie, e até aí tudo bem, mas o que não pode é deixar o celular ser o protagonista de uma mesa de bar.

Toda essa comoção mundial pelo próprio eu nos lembra Narciso, que morreu de tanto olhar para si. Infelizmente, as pessoas esqueceram essa história e entre mortos e feridos, o importante é que o ego esteja passando bem.

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